Tênis de mãos dadas com a sustentabilidade

Segundo o que já dizia o químico francês Antoine Laurent Lavoisier “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, os processos de reciclagem seguem o mesmo lema.

Depois de jogar dois ou três jogos, a perda de pressão das bolas é mais do que evidente, levando-nos a descartá-las, mesmo estando com a aparência de boa. Graças à criatividade e às ideias de reciclagem, essas bolinhas de tênis que ficam desgastadas, danificadas ou simplesmente sem uso, também podem ser usadas de diferentes formas fora das quadras. Elas podem ser recicladas e transformadas em itens úteis e funcionais, através de artesanato simples e prático, e também podem ser doadas para projetos sociais de mini tênis.
Até os tubos de bola, com seu valioso plástico duro, estão sendo reciclados.

Através do artesanato, as bolas podem se transformar numa infinidade de objetos e enfeites, inclusive, em porta-moedas e cofrinhos.


Já com a doação a projetos sociais, ajudam na difusão da modalidade em comunidades carentes, pois com a redistribuição dessas bolas usadas, ocorre à diminuição dos gastos para desenvolver a atividade, proporcionando um grande beneficio social.

Us Open

O torneio de US Open, considerado um dos mais famosos do mundo, é também um dos mais sustentáveis.
Desde 2008 a Associação de Tênis dos Estados Unidos – USTA trabalha para minimizar a quantidade de resíduos gerados pelo evento.

Antes de cada jogo os árbitros recebem sacos com as quinze latas de bolas novas, tiram todas para o jogo e ao fim da partida recolhem e as devolvem em uma estação de árbitros, onde os produtos ficam armazenados em recipientes específicos de reciclagem.

O primeiro destino deste material é o Centro Nacional de Tênis, que indica programas comunitários que possuem aulas de tênis. As bolinhas que perderam sua pressão interna vão para escolas ou abrigo de idosos, onde elas são usadas em pés de cadeiras e andadores.

O processo de reciclagem, efetivamente, necessita de cuidados adequados a cada um dos compostos de suas embalagens. A lata precisa de atenção especial por possuir diferentes materiais em sua formação: três tipos de plástico e a borda, feita de alumínio. Uma empresa especializada se responsabiliza por essa reciclagem. Mesmo com todo o cuidado, apenas 30% de uma lata nova pode ser feita com plástico reciclado.

Como alternativa para minimizar esse problema e reduzir a quantidade de resíduos gerados em torneios de tênis, o ideal seria usar latas de metal, mas elas custam o dobro do preço, o que dificulta a sua popularização.
Em um torneio de tênis as bolinhas são imprescindíveis. Por isso, as latas e bolas se tornaram prioridade no projeto de reciclagem, até pelo fato de ser um grande desafio conseguir reutilizar estes materiais.

Roland Garros

Através de uma ação conjunta com a Federação Francesa de Tênis, o tradicional torneio de Roland Garros, desenvolve a sustentabilidade, aliada à ação social, trazendo uma pitada ecológica a um dos mais disputados torneios do mundo.

Devido a grande quantidade de bolas usadas em jogos oficiais e treinos, os organizadores decidiram reduzir os resíduos, através do reaproveitamento. De cada bola consegue-se reutilizar 53 gramas de material.

Segundo dados oficiais, somente no torneio de Roland Garros são utilizadas 60 mil bolas e na França, são vendidas anualmente 14 milhões. Sua reciclagem propicia a confecção de carpetes para pisos de instalações esportivas, posteriormente doados para projetos sociais. A cada 40.000 bolas recicladas, um piso esportivo de 100m2 é colocado em uma instituição de caridade.
Uma bola de tênis pode levar até 2.500 anos para sua decomposição, com isso, ações iguais a essas tem um grande alcance ambiental. Diversos segmentos esportivos estão caminhando para tornarem-se mais sustentáveis e o tênis não fica atrás.

“Operação Bola Amarela”

Desde 2009, a Operação Bola amarela, é conhecida como uma ação emblemática da Federação Francesa de Ténis para o desenvolvimento sustentável, o intuito é reciclar bolas de tênis usadas ​​para transformá-las em diversos fins, visando a ação social e a solidariedade.

Em 2015, para a 7ª edição, 1,5 milhões de bolas de tênis usadas ​​foram coletadas de 31  ligas metropolitanas que participam do projeto.

Através desta iniciativa, vinte e seis pavimentos esportivos têm sido feitos até então, além de estruturas voltadas para ações sociais e de solidariedade, tais como centros de reabilitação, instituições médicas e educacionais, institutos de educação motora e hospitais infantis.

O incentivo ao reaproveitamento e a luta pela sustentabilidade não deve parar!

Fonte: JogandoTênis / fft.fr